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Balanço


Qualquer pessoa da minha idade já passou pelo menos por duas fases da vida e pode fazer um balanço de sua produção para avaliar os resultados físicos ou as elaborações que geraram produtos materiais com resultados que podem ser observados, avaliados, medidos e comparados. Para começar meu balanço, achei melhor partir da infância e seguir em direção às fases seguintes.
O aprendizado do artesanato veio logo cedo, na infância, em casa mesmo. Amei o crochê, virou paixão. Sonhava vestir a casa toda com crochê, feito por minhas mãos. O primeiro produto foi uma colcha de inúmeros pequenos círculos em vermelho e azul. Ela ficou linda. Produzi muitos círculos que foram costurados por minha mãe. Amaria revê-la. Lembro dela já velhinha gasta e desbotada, mas firme nos agasalhando no inverno.
Gostava de redação e de cadernos passados a limpo, bem encapados e desenhados com flores.  Na adolescência, quando a paixão pelo crochê aumentou e o momento dos anos setenta valorizava o artesanato, produzi coletes, blusas, saias, saídas de praia, bolsas, muitas bolsas.
Também aprendi corte e costura com uma p
rofessora em uma escola do bairro para produzir sob medida, boa parte de minhas roupas. Amava criar moda. Fiz peças lindas até costurar meu dedo indicador, mas nem por isso desisti.
O colégio e a universidade, realidades diferentes, e o crochê como a fiel escudeira. Peças e mais peças doadas, presenteadas, usadas, perdidas. Peças lindas, feias e horrorosas foram produzidas. Muitas coloridas e com diferentes texturas. Até hoje quando pego meu antigo livro de pontos de crochê publicado no Japão, que ainda consulto com muito carinho, lembro-me de cada peça que produzi com cada um dos pontos. Horas e horas a fio, tecendo, admirando desmanchando, planejando, refazendo. Muitos cadernos escritos à mão, projetos e idéias.
Fui para o campo, pesquisei sobre a cana de açúcar, usinas de açúcar e álcool, o etanol. Produzi uma monografia para o CNPq, um artigo publicado na revista da UNESP, outro para um congresso no sul do país e mais um publicado na revista local. Passei em dois concursos públicos e optei por um.
Com a maturidade, chegou o casamento e a maternidade, produção conjunta, filhos, produções gastronômicas, pizzas e outros menus combinados. Papinhas, suquinhos, solzinho e tudo que essa produção exige. Mais crochê, muito crochê e costuras. Enxoval, moisés, cortinas, berço, altas produções carinhosas, casaquinhos, bicos, muitos bicos e sapatinhos azuis. Antes vieram as cortinas, cabeceira, colcha e almofadas. Muitos tecidos costurados, aplicados, crochetados. Rendas, o branco, tons pastéis. Calmos. Nova fase se iniciando, novas cores, até ficar literalmente, sem máquina.
Na produção científica, muitos artigos, pesquisas, cursos e apresentações. Orientações, formação de profissionais competentes hoje reconhecidos. Novos cursos, novas áreas, novas tecnologias. Uma dissertação e uma tese. Livros, inicialmente, três, um manual de aulas práticas para o professor dar suas aulas sobre os temas transversais, sucesso total e dois temáticos, sobre as novas tecnologias e sobre o  estado, em parceria. Pesquisas, palestras, tudo em uma seqüência frenética e ritmada como as letras que me saltam à vista nesta hora de balanço da produção de uma vida.
Cursos inusitados, novas tecnologias para o ensino num momento em que poucos sabiam o que era um e-mail. Como criar um site no geocities, produção de muito lixo eletrônico em páginas teste. Produção do portal da cartografia, da revista eletrônica de geografia, hospedados na página da universidade. Projeto geografia do Oriente Médio, Mapas das terras bíblicas e construção de maquetes daquelas terras, modelos bi e tridimensionais, analógicos e digitais. Vieram as webquests, portfólios eletrônicos e os blogs. O Philcarto veio pela cartografia, atlas escolar da cidade, mapa da cidade em bairros, atlas ambiental, tudo digital e impresso. Produções conjuntas, orientações e coordenações. Mais uma etapa encerrada.
Quais produções virão na próxima? Eu diria como Ricardo Gondim:  “Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. [...] Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos e deseja andar humildemente com Deus”.
Hoje, tudo pode ser mais devagar, porque não há pressa. A nova fase traz consigo um gosto pela criatividade inspiradora, pela casa, pela família. Agenda de casa e  manual de casa são os instrumentos que auxiliam no dia a dia. Gastronomia,  pesquisas de novos cardápios, novas receitas estimulam o prazer de estar à mesa com meus queridos e o crochê  inspira, sem evoluir, numa produção persistente e contínua.
Ro Archela

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